9 de fev de 2010

O Amor Segundo ABBA

“You were, I felt robbing me of my rightful chances”
(ABBA, one of us)

Eu acho que todo mundo já sofreu por amor. Diga-se, de passagem, que quem não sofreu também não tem do que se vangloriar. É como eu sempre digo, é preferível a dor de terremotos e tsunamis a uma vida morna, quase vegetativa em matéria de coração. Entre viver e não viver, eu sempre preferirei a primeira hipótese ainda que eventualmente arque com os dissabores da decepção, da indiferença e dos desentendimentos.

De toda sorte, nos últimos tempos, não tem me saído da cabeça a letra e a melodia da música “The Winner Takes It All” do grupo ABBA . Mesmo que o leitor amigo tente associar o teor da música a eventuais aspectos pessoais da minha vida, não vou confessar. Estou falando em tese: apenas isso!

A música trata de um desabafo belíssimo de alguém que perdeu o ente amado. Um dos versículos mais interessantes da canção é quando se clama:

“Eu estava nos teus braços
pensando que lhes pertencia
Achando que tudo fazia sentido
construindo minha cerca e o meu lar
Sentindo-me forte ali
Mas fui um idiota
ao jogar de acordo com as regras”

Mas quais são as regras do amor?

Não há! Amar é simplesmente amar. É doar-se sem esperar nada em troca. Amor não é um investimento que se aguarda retorno. Amor não é um direito real que transforma a pessoa amada num objeto de posse.

Amar é um verbo tão complexo que toda a poesia escrita sobre tema não esgota a sua universalidade, e todas as maldades, adversidades, grandes feitos, generosidade, palavras vãs praticadas em seu nome não transformam ninguém herói , mártir ou vilão. Isto porque é pressuposto para amar a natureza humana, e esta é e sempre será cheia de falhas e vicissitudes.

E aí volto aos versos do ABBA na mesma música:

“Em algum lugar profundo dentro me mim
você deve saber que sinto falta de você
mas o que posso fazer?
Regras têm que ser obedecidas”

Pois é! Não se controla o amor. Ele não é regrado, é rebelde, é insano, é simplesmente o amor. Você não tem como decidir “amar ou não amar” (Talvez Shakespeare discordasse) . Pode-se, máxime, optar por não viver um relacionamento e abafar aquele sentimento grandioso até que ele, sem oxigênio, desfaleça, enfraqueça e venha a óbito. Fazendo isso, entretanto, ter-se-á que arcar com a dúvida da omissão, da inércia ou da covardia.

Mente quem diz que o amor sempre é eterno. Amor absoluto somente o é o amor original (ágape): aquele que Deus-Pai tem por todas as criaturas. Os sentimentos humanos são normalmente finitos sim (ainda que por uma vida toda), mas isso não lhes retira a grandiosidade, a intensidade e o sentido nuclear que eles dão às nossas vidas terrenas, medíocres e falhas.

Não importa o nome que se lhe dê: Agape, Philia, Eros, Storge, segundo a filosofia grega; ou Ai, Lian, Qing, Gănqíng, conforme doutrina a sabedoria milenar dos chineses, a verdade é que tudo o que se escreveu sobre amor dirá sempre pouco ou quase nada, porque amor não é um conceito psicossocial, mas sim um elemento abstrato que só sabe quem sente e, mesmo quem sente é incapaz de descrevê-lo em toda a sua plenitude porque qualquer expressão humana, digam-se gestos, palavras ou escrita, os quais nunca lhe esgotarão o conteúdo.

Assim, esquecendo os profundos textos teológicos e filosóficos acerca do amor, prefiro mil vezes dizer que amo e amo muito e, enquanto correr sangue quente nestas veias, a mola propulsora do sentido da minha vida será amar: Amar a Deus, amar o trabalho, amar a Justiça e amar alguém tão falho e tão humano quanto eu.

Por tudo isso, desprezando Platão, Aristóteles, Bento XVI, Álvares de Azevedo, Lord Byron etc e etc. Acosto-me aos reclamos do grupo pop sueco:

“Os juízes decidirão(...)
E jogo (do amor) ocorrerá novamente
amigo ou amante
algo grande ou pequeno
O vencedor leva tudo!”

E viva o amor! Feliz será seu vencedor!

Por: Eduardo Varandas

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